Não é novidade para ninguém que São Paulo costuma ter noites geladas durante essa época do ano, mas felizmente no último dia 19 (sábado) uma ótima alternativa para esquentar o ânimo de todos estava diante de nossos olhos.
O Helloween desembarcou no Suhai Music Hall (localizado no Shopping SP Market) para seu último show da intitulada "40 Years Anniversary Tour" com a expectativa a flor da pele, casa lotada com fãs cantando antes mesmo do show iniciar, camisetas de várias épocas da banda, tudo reinando em um clima perfeito e amistoso.
É preciso deixar claro que muitos estavam cientes do setlist daquela noite e também de algumas possíveis mudanças (como ocorreram, de fato), afinal, dias antes a banda estava pelo sul do Brasil mostrando a vitalidade em dia mesmo após quatro décadas.
"Let Me Entertain You" na versão de Robbie Williams deu as caras nos P.A.s enquanto tudo era preparado nos mínimos detalhes para a apresentação dos germânicos, e não demorou muito para que as cortinas caíssem e "March of Time" surgisse com uma recepção calorosa do público, faixa presente em "Keeper of the Seven Keys Part II" (1988).
Era nítido como a energia do local emanava boas vibrações, Kiske e Deris interagindo bem entre si e o público adorando, respondendo a cada "investida" de ambos para uma conversa.
"The King for a 1000 Years" (em uma versão mais curta) empolgou bastante, mas após a mini intro/solo de Kai Hansen, a queridinha "Future World", faixa presente em "Keeper of the Seven Keys Part I" (1987), surgiu como um dos momentos mais legais da noite com a "chuva" de papéis picados entre nós.
"This Is Tokyo" e seu refrão chiclete também fez um ótimo trabalho, mostrando as novas gerações afiadas no canto, enquanto "We Burn" (faixa de "The Time of the Oath" de 1996) trazia um pouco de peso e velocidade, e, "Twilight of the Gods" (presente em "Keeper of the Seven Keys Part I" de 1988) anestesiava o público apresentando uma grande projeção nos telões de palco e das laterais com máquinas de fliperamas/arcades bem legais, além de Kiske "fingindo brincar de jogar" com um bom humor característico.
Enquanto todos se recuperaram da "avalanche" de riffs e momentos marcantes até aqui, o "pai" do gênero mais conhecido por Kai Hansen deu o ar da graça no microfone para a pesada "Ride the Sky" (presente no EP "Walls of Jericho" de 1985).
"Into the Sun" talvez tenha trazido um dos momentos mais emocionantes para os presentes, a verdadeira balada da noite, com uma execução primorosa de ambos... aliás, devo dizer que todos estavam inspirados e com uma sintonia incrível, tudo soava perfeito, ambos tendo os devidos destaques (tudo bem, eu ainda não consigo "aceitar" as guitarras PACE de Sascha Gerstner, mas isso é um problema pessoal e não afeta em seu ótimo som e performance hahaha).
Outro grande destaque ficou a cargo da faixa "I'm Alive" (mais um sucesso dos "Keepers") sendo executada pela primeira vez na turnê ("Hell Was Made In Heaven" era prevista mas provavelmente houve a troca pela mencionada anteriormente) cantada e amada por todos os presentes (incluindo este que vos escreve).
Andi Deris volta a ser destaque com a faixa "Hey Lord!" (presente em "Better Than Raw" de 1998) tendo uma boa performance do vocalista, sempre sorridente e simpático.
O meio do show já estava por vir enquanto "Universe (Gravity for Hearts)" (faixa de "Giants & Monsters" de 2025) surgia e o solo de bateria levantava ainda mais o público para o que estava por vir, aliás, um dos ápices da noite, a icônica "I Want Out".
Novamente aproveitando os telões com artes muito coloridas e divertidas, animaram o público que cantava sem o amanhã (foi um dos momentos mais arrepiantes com o refrão no último volume), sendo uma verdadeira festa.
A cada momento era possível ouvir atentamente o quanto o som estava bem regulado, unindo a nitidez do som com a regulagem perfeita da casa (aproveitando, por favor, alguém poderia me dizer qual é o modelo daquele baixo na cor preta com corpo que parecia um Rickenbacker que o Markus Grosskopf estava tocando lindamente?!).
O momento intimista da noite chegava com Kiske e Deris no centro do palco e apenas um violão no colo, era a hora dos smartphons ligarem as lanternas enquanto alguns versos de "Suspicious Mind" de Elvis Presley surgiam, seguida por "Yesterday" dos Beatles e por fim, de forma brilhante a faixa "A Tale That Wasn't Right" com uma interpretação ímpar.
"A Little Is a Little Too Much" também deu as caras e foi interessante, uma canção que empolga para alguns e outros soa de forma regular, mas com aquele apelo comercial bem feito.
"Heavy Metal (Is the Law)" novamente trouxe o ar do peso que o headbanger pedia para a noite, criando um clima perfeito para um épico absoluto do gênero que praticam..."Halloween"!
O que dizer de uma faixa tão amada pelo fã da banda e venerada por todo o metal melódico?Cantos emocionados logo surgiram, um misto de dever cumprido era bem nítido diante de vários olhos com as variações que a canção transmite, sendo para mim o grande ponto positivo de forma geral.
Era a hora do bis, e a banda não estava para brincadeira... a primeira amostra veio com a sempre bela "Eagle Fly Free" (já falei muito dos "Keepers", né?!) que foi ovacionada em meio a emoção tomando conta de muitos, tendo inclusive um momento divertido com Kiske se perdendo no refrão e sorrindo da situação (como um bom músico que não precisa provar nada a ninguém deve ser).
"Power", facilmente a mais venerada da fase Deris com o refrão cantado até pelos seguranças do local foi um ápice de histeria, mas ainda precisavam terminar de forma sublime, e foi aí que "Dr. Stein" soube fazer isso com primor, as famosas bexigas gigantes apareceram para animar e ainda a última dobra de "Keeper of the Seven Keys" executada com o refrão em coroa deixou muitos anestesiados e felizes com a grande passagem dos músicos por São Paulo.
De forma geral, o show teve muitos altos e alguns momentos "ok", devo destacar também a ótima regulagem da casa (principalmente na timbragem de bateria e baixo, mesmo tendo em poucos instantes algumas frequências "embolando", mas nada que afetasse a experiência final num todo).
Mesmo que tenham surgido algumas críticas e empecilhos de alguns presentes (filas grandes para merch, comes e bebes e dificuldade durante a saída do estacionamento do Shopping SP Market), o saldo em minha visão foi muito positivo.
A chuva infelizmente apareceu na hora de ir embora mas isso aí a gente resolve com o INMET, não é mesmo?! De resto, espero poder ver mais apresentações no Suhai Music Hall, achei muito interessante a casa num modo geral, e recomendo o seu acesso pelo trem da via mobilidade (linha 9 esmeralda) ou Uber (caso você seja da região de Interlagos e proximidades).
Confira os vídeos que fizemos através de nosso perfil oficial no Instagram na sessão destaques em nossa Bio:
Setlist:
March of Time
The King for a 1000 Years
Future World
This Is Tokyo
We Burn
Twilight of the Gods
Ride the Sky
Into the Sun
I’m Alive
Hey Lord!
Universe (Gravity for Hearts)
Drum solo
I Want Out
Yesterday / Suspicious Mind / A Tale that Wasn’t Right
A Little Is a Little Too Much
Heavy Metal (Is the Law)
Halloween
Bis:
Invitation / Eagle Fly Free
Power
Dr. Stein / Keeper of the Seven Keys
Deixo aqui o nosso agradecimento a Catto Comunicação e Mercury Concerts pelo credenciamento.