A "Run For Your Lives World Tour" comemora os grandiosos 50 anos do Iron Maiden, talvez o maior nome de seu gênero, e não é para menos, pois a quantidade de histórias, feitos e contribuições demonstram sua importância num todo.
Após a ótima abertura de show com o quarteto do Alter Bridge agitando o público, era a vez do show principal tomar conta da mente, olhos e energias dos presentes.
O NuBank Parque estava em êxtase quando as primeiras canções começaram a tocar nos auto falantes, e para os fãs da "donzela", aquela sequência é muito familiar pois trata-se das escolhas de Steve Harris para o "esquenta".
"Doctor Doctor" cantada por todos já demonstrava uma expectativa enorme, mas quando os primeiros acordes da icônica faixa "Ides of March" surgiu, a euforia, os gritos e a empolgação tomaram conta do ambiente.
É preciso destacar algo importante, algumas das canções do setlist estariam estreando em solo nacional finalmente, e foi com a brilhante "Murders In The Rue Morgue" o pontapé inicial, Bruce Dickinson cantando como nunca e o "patrão" Steve Harris correndo pelos lados, algo muito característico de seus shows.
A performance inicial foi de uma banda afiada mediante as dificuldades da idade, não parecendo ter o peso de tanto tempo de estrada, mas com aquela experiência de alguém que sabe o que faz e onde pisar.
"Wrathchild" surgiu com uma versão bem diferente dos últimos anos, mais lenta, arrastada, andamentos conhecidos mas de uma forma diferente, mas ainda sim, nada mudou quando Mr.Dickinson resolveu soltar o seu agudo pleno.
Durante a atual tour, a banda tem explorado de forma muito benéfica os telões com projeções incríveis, dando um ar ainda mais teatral para cada canção, levando o fã para viagens incríveis através das artes escolhidas e suas progressões, algo muito bem desenvolvido.
Era a vez de "Killers", segunda canção inédita da noite, um pouco arrastada também nos moldes atuais mas ainda sim, um clássico.
Bruce novamente demonstra performance acima da média com as notas altas, e um clima nostálgico no refrão cantado por todos, além de apresentar o primeiro Eddie da noite, sempre celebrado mundialmente.
Até o momento, o clima parecia ter chegado ao auge de êxtase inicial de um grande show, mas o que estava por vir era definitivamente a descarga de alegria mais pura possível com outro clássico, "Phantom of the Opera".
A cancão trouxe animações muito interessantes, além de outra boa performance, que aliás, deram um tom de mais velocidade ao show, tendo ótima aceitação, bem como as chamas laterias e centrais do palco surgindo.
Preciso pontuar sobre a mudança na bateria pois Simon Dawson não é "apenas" um substituto, ele está para banda como um homem de confiança do "patrão", alguém que possui experiências passadas como em sua passagem pelo The Outfield, além de estar fixo no British Lion, projeto paralelo de Harris.
É óbvio que suas linhas, progressões, tudo se torna diferente e em um tom mais intimista, mas é preciso entender que também trata-se de um pedido, afinal, como manter uma linhagem onde ninguém pudesse se adaptar?!
"The Number of the Beast", clássico absoluto dos anos 80, emanava aquela energia única e intensa de suas execuções, outra facilmente cantada pelo seu famoso refrão.
A última música entre as novidades estava por vir, Bruce Dickinson fez um discurso sobre a demora em incluí-la no set após tantos anos, e claro, seria a primeira vez por aqui (considerando a segunda noite).
"Infinite Dreams", com projeções incríveis inspiradas no ótimo álbum "Seventh Son of a Seventh Son (1988) iniciava com a emoção de muitos, a expectativa de vários e as câmeras apontadas para cada detalhe executado, sendo um dos momentos mais legais até ali.
Em um show com tantos detalhes minuciosos, fica complicado definir apenas uma projeção definitiva, mas se tivéssemos como listar um Top 3, certamente a faixa "Powerslave" estaria garantida, tendo como base a arte de capa com variadas nuances a cada riff, muito celebrada por vários e apreciada em contexto geral.
O fogo no palco aparecendo diante de Bruce chama atenção pela escolha de cores, enquanto usava a sua famosa máscara enquanto interpreta a canção, além de interagir bem com o público novamente.
Existem riffs que se tornam marcantes por características tão simples que todo mundo reconhece em poucos segundos, e isso é apenas uma das características que tornam a clássica "2 Minutes To Midnight" uma verdadeira seita para os guitarristas. Refrão viciante, Harris novamente correndo na segunda parte, solos de Adrian Smith e de Dave Murray, tudo contribuiu para a grande apresentação.
Uma das grandes atrações da noite ficou a cargo de "Rime of the Ancient Mariner", um grande épico onde Bruce Dickinson usa e abusa de seu talento para declamar uma grande história, e neste caso, uma ótima dinâmica do telão, um dos melhores da noite.
Era chegada a hora da canção que moldou a tour atual durante as famosas propagandas, "Run To The Hills", cantada até mesmo por quem não era um fanático, afinal, quem não se empolgaria com um dos singles mais aclamados da história?!
"Seventh Son of a Seventh Son" trouxe uma das projeções mais bonitas também, mantendo aquele clima sombrio, soturno e épico, e mesmo que ao fim durante os solos tenha ficado um pouco diferente pela progressão escolhida, ao menos para mim, não afetou como um todo.
"The Trooper", o single mais comercializado da banda, enfim chega com o famoso traje de Bruce Dickinson e as interações do segundo Eddie com a banda, principalmente com o simpático Janick Gers que interage e diverte.
"Hallowed Be Thy Name" manteve a essência, mostrou um pouco mais da mudança nas linhas de bateria e a velocidade reduzida, porém, o que seria do público sem a interação de Bruce Dickinson nesse momento? Diversão!
O fim do primeiro ato ficou por conta da faixa titulo, um verdadeiro clássico do heavy metal, tendo uma grande projeção de Eddie que chama atenção desde os últimos lugares do estádio, parecendo "sair" para pegar os integrantes a qualquer momento.
Um pouco de descanso, um gole nas águas que eram fornecidas na pista premium e estávamos prontos para o trio final.
"Aces High" surge com batalhas no telão sob o comando de Eddie e ótima dinâmica, outro belo momento cantado por todos (baita refrão, por sinal), e novamente a nostalgia de décadas passadas revivendo nos rostos de cada fã de longa data.
"Fear of the Dark", um dos símbolos mais divulgados do Rock In Rio 2001, aparece com uma linda da Lua sendo projetada enquanto Bruce Dickinson atua com uma lanterna, declamando as primeiras estrofes.
Enquanto o público gritava seu refrão, a banda interagia e se divertia a cada momento, demonstrando que cada instante da noite valeu a pena, mas, o que faltava para fechar a noite?
Adrian Smith solfejar os primeiros acordes de "Wasted Years", fechando um dos melhores shows de 2026 com muitos chorando, cantando e abraçando os amigos, a melhor experiência possível para um final triunfante.
No geral, vimos que a banda consegue unir os clássicos absolutos ao momento atual, mudanças ocorreram, andamentos um pouco estranhos (talvez por conta da memória sempre viva de Nicko McBrain), mas nada que pudesse tirar a nostalgia, a hegemonia e a experiência de uma das melhores bandas de todos os tempos.
Bruce Dickinson continua cantando demais, Steve Harris mandou bem em suas linhas características, e o trio de guitarras afiados.
Simon?Curti bastante, entendo o momento "diferente", não é preciso tentar fazer a roda novamente, mas também é preciso entender que as coisas mudam.
Não acredito que este tenha sido o último show por aqui, mas devo dizer que, caso você não tenha ido, busque o próximo sem pensar.
Setlist:
1. The Ides of March (intro)
Murders in the Rue Morgue
2. Wrathchild
3. Killers
4. Phantom of the Opera
5. The Number of the Beast
6. Infinite Dreams
7. Powerslave
8. 2 Minutes to Midnight
9. Rime of the Ancient Mariner
10. Run to the Hills
11. Seventh Son of a Seventh Son
12. The Trooper
13. Hallowed Be Thy Name
14. Iron Maiden
Bis:
15. Aces High
16. Fear of the Dark
17. Wasted Years
3. Killers
4. Phantom of the Opera
5. The Number of the Beast
6. Infinite Dreams
7. Powerslave
8. 2 Minutes to Midnight
9. Rime of the Ancient Mariner
10. Run to the Hills
11. Seventh Son of a Seventh Son
12. The Trooper
13. Hallowed Be Thy Name
14. Iron Maiden
Bis:
15. Aces High
16. Fear of the Dark
17. Wasted Years
Confira no link a resenha sobre o show de abertura com o Alter Bridge:
Deixamos aqui o nosso agradecimento a Midiorama e a Move Concerts pela oportunidade da cobertura.
Agradecemos pela seção de fotos cedida pelo site Headbangers Brasil
Fotos por Ian Dias (@diasphotography)
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