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quinta-feira, 9 de julho de 2020

Discografia Comentada #3 : Christian Buchhaas (Morpheus' Dreams) - "What Dreams May Come?"


É sempre interessante poder abordar álbuns que você goste, saber detalhes, produção, e isso precisava ser feito com "What Dreams May Come?".

Abaixo, confira o bate papo com o mentor Christian Buchhaas sobre as idéias que teve e conceitos para o seu ótimo registro de estúdio :


1 - Desde a última vez que nos falamos ouvi ainda mais o álbum "What Dreams May Come?" (2017) e pude me aperceber de detalhes únicos e bem construídos. 
Quando você pensou na formatação das faixas que o compõem, em algum momento precisou redefinir conceitos ou melodias que não se encaixam mais?
Sim, e bastante, Vinny!
Até porque, sendo músico, sei que a inspiração do momento conta bastante para tal dia ou criação.

Pra começar não havia intro, a música “Emeraldine” foi a última a entrar no cd. Na “Trismegistus” eliminei um dos pré-refrões, na “D’arc (The Unburned Heart)” coloquei uma guitarra a mais na intro, na “Shakespeare’s Secret Garden” mudei a melodia de voz do refrão (ainda bem), “Star of Sophia” também mudei a linha de voz do refrão e coloquei o solo, na “Dream Awake” mudei, novamente, a linha de voz do refrão… e acho que foi isso.


2 - Agora falando sobre os conceitos que giram em torno das canções, acredito que na concepção você deva ter entrado de cabeça nos estudos e teorias, além de se inspirar pelos próprios pensamentos de cada tema, não é mesmo?
Exato! Pra poder escrevê-las e entrar no clima precisei estudar cada um dos temas, ler livros, biografias…aquela bela pesquisada.

Para a música “Trismegistus” li dois livros: “A Tábua de Esmeralda” e “Anatomia de Deus”.
Este ultimo não consegui terminar por ser muito difícil. Em breve lerei novamente os dois, e vamos ver se dessa vez consigo terminar o outro.

Em “D’arc” li bastante a respeito da história de Joana. É a letra que mais gosto pois consegui colocar todos os pontos que queria. Foi também a última letra a ser terminada, tive muita dificuldade com uma estrofe que, com a ajuda de um transeunte na rua pude terminar, na camiseta dele havia uma frase que adaptei para a letra: “all the sons of war will be forever the heirs of peace”.

Pesquisei sobre o Lobo-Guará, como e aonde vivia, sobre Shakespeare (o nome da família de sua mãe foi essencial pra uma rima em uma das estrofes).
“Shakespeare’s Secret Garden” e ”What Dreams May Come?” possuem uma ligação em sua temática, por isso li bem a estória em que foi baseada (Sonhos de uma Noite de Verão, de Neil Gaiman), assim como “The Daughter of The Owls”, também baseada em uma estória de Gaiman.

“Ribat da Arrifana” necessitou uma bela de uma leitura. Pesquisei bastante sobre a região, a história/lenda de Ibn Qasi e como isso poderia ser transferido para o instrumental.
O mesmo aconteceu com “Dream Awake” que possui viola caipira e acordeon.

Para “Sob o Sol” ouvi troscentas versões da música. Peguei todas as que gostei, joguei num pote e tive um trabalho hercúleo pra conseguir juntar tudo de forma musical e coerente, mas deu certo!

“Emeraldine” foi a última. A princípio não haveria uma introdução, mas depois que decidi colocar uma quis colocar elementos da “Trismegistus” nela, já que ela viria logo na sequência.

Quais os pontos mais importantes no álbum? Pontos que você considera fundamentais para a ligação das canções num todo, que dão sentido ao seu ideal realizado no lançamento?
Acima de tudo tentar manter o bom gosto e a qualidade, me questionar se realmente está bom, dar tempo para as idéias amadurecerem, consultar também alguns amigos de confiança. MASSS, uso de alguns elementos que me orientam, alguns pontos que coloquei como pilares para a Morpheus: o trabalho com a música étnica (que é MUITO difícil) e a temática ligada ao universo onírico, ao mundo dos sonhos.

Mas também falar sobre outros temas, dar uma liberdade na hora de criar para que o processo não fique sempre sendo pensado em colocar alguma característica de alguma outra cultura, deixar tudo com mais liberdade e naturalidade.

Outro fator que tomo uso é a utilização de cores…isso mesmo, amiguinhos, vocês não leram errado não, para cada álbum eu seleciono duas cores e trabalho com as temáticas que giram em torno delas.

No primeiro álbum foram as cores verde e amarelo (a própria arte mostra muito isso, mas as músicas também), o segundo álbum está sendo feito sobre as cores azul e branco. Pego temas que tem a ver com estas cores e crio em cima disso. Claro que, se alguma temática que acho que deva estar no ábum pareça de alguma cor nada a ver, coloco.

Liberdade de criação em primeiro lugar, se ficar bom, porque não?


3 - Você deve se lembrar que mencionei há algumas semanas que "Shakespeare's Secret Garden" se tornou minha faixa preferida (ou uma delas para ser mais exato)... lembro também que você disse ser uma das faixas que você mais aprecia.
Olha, eu gosto de todas as músicas (muitos risos),  mas acredito que cada uma tenha um ponto em específico que me chama a atenção, no caso desta é o refrão que mais gosto no CD inteiro.


4 - Outra faixa que também me agrada bastante é "Star of Sophia" e foi uma grata surpresa entender a sua importância no tracklist final. Fale um pouco mais sobre e alguns detalhes que dão toda a diferença para ela ser uma das faixas únicas; por favor...
Obrigado, Vinny! Fico muito feliz quando alguém gosta dela pois seu significado é especial.
Ela foi feita em homenagem a minha irmã, Sophia.

Por isso as risadas de criança no começo, é uma forma de poder escutá-la feliz e de certa forma estar com ela. É uma história espiritual.


5 - Escolher vozes femininas nem sempre é algo muito fácil ou acessível para canções feitas por músicos que não necessariamente cantem; e você acertou em cheio nas participações (além claro das vozes masculinas).
Muito obrigado!!

Mas focando no lado feminino, quais os fatores que te levaram a fazer tais escolhas? Durante as concepções você pensou que seria interessante inserir tais pessoas ou de antemão preparou algumas melodias/escalas que combinassem com os envolvidos(as)?
Antes de qualquer coisa eu vejo o/a professional pelo aspecto técnico: tem de ser bom e agregar qualidade, valor.

Quando gravamos algo, quando fazemos um trabalho nosso mostramos ao mundo quem somos, mostramos nossa imagem, então temos de fazer o melhor possível. Ou é pra valer ou não se faz.
Enfim, tendo este aspecto em mente vejo quem, dos que conheço se encaixam também no gênero e teriam a disponibilidade.

No caso das vozes femininas ambas são excelentes cantoras, tanto a Fernanda Hay quanto a Juliana Rossi. A Fê é prima da minha prima, e nossas famílias SEMPRE estão juntas em nossas comemorações de final de ano, são minha família também.

Conheço ela desde “kiança”. Já acompanhava o trabalho dela em suas bandas e sempre quis gravar com ela, então, esta foi a oportunidade, e a Fernanda deu uma BAITA força vale dizer.

A Ju também é amiga de longa data, até estive numa formação de sua antiga banda, o Hevorah.
Já chamei a Ju umas 500 vezes pra cantar na banda mas ela nuunca quis (muitos risos).
Excelente cantora, muito talentosa e, assim como a Fernanda, dona de uma voz única.

Mas o que aconteceu foi o seguinte: a Fernanda precisou se mudar para Los Angeles, então terminamos as vozes principais e a Ju fez os backings (voz principal nos refrões da “Trismegistus” e ”Lobo-Guará” também). A voz das duas casou absurdamente, muitas pessoas não percebem que tem mais de uma pessoa cantando ali.


6 - Assim como você disse na entrevista anterior, muito material da banda está guardado ou projetado há anos (se eu não estiver equivocado o projeto existe há 22 anos, certo?)
Exato!!

Mas isso de certa forma deixa você com o pensamento no passado dessas canções ou gosta de pensar no momento atual e acrescentar mais idéias?
Ambas as coisas, Vinny! Não vejo o passado como algo ruim, muito pelo contrário, ele é a base de tudo o que somos, e, no meu caso, o meu me trás muitas lembranças e referências positivas que quero lembrar e de certa forma homenagear.
As idéias que vieram lá atrás, as boas, serão usadas.

Podem passar por uma atualização sim, mas não descartadas. As pessoas precisam parar de pensar que só porque é de outra década (ou milênio, no caso) perdeu o valor, não pode mais ser usado ou só foi bom lá atrás. A música, assim como muitas outras coisas, é cíclica e não uma espiral.

Em algum momento ela voltará ao que foi, repaginado com certeza, mas as coisas sempre reaparecem, e se foram boas, isso é ótimo.

Claro que com o passar do tempo novas idéias foram surgindo e agregadas a este “banco de dados”, e elas continuam surgindo, e serão usadas na música certa, no momento certo.

Por exemplo; acima abordei sobre redefinir conceitos, mas aqui gostaria de saber se em algum momento você parou para pensar que determinados solos, riffs, não dessem mais uma margem atual ou condizente com o que a música pede? Claro, algumas canções também são atemporais, vide o fanatismo mundial em Beatles mesmo 50 anos depois de tudo se iniciar em Liverpool...

A redefinição vai de reescutar o material antigo e perceber se aquilo está bom ou não mais, pois com o passar do tempo vamos ganhando maturidade musical, seja na execução, na capacidade de criação e na forma como vemos aquele material.
A nossa percepção muda.

A partir daí analiso se necessita repaginar ou se dá pra seguir daquele jeito. Mas na hora de construir a música este material já acaba passando por uma plástica naturalmente.

Por exemplo, a música “Dream Awake” tem 20 anos, mantive muita coisa dela. Reanalisei sua estrutura, dei um “tapa” nos riffs e pronto. O que precisou ser mudado mesmo foi a linha de voz do refrão que deixei mais enxuta pra ficar mais melódico e cantável, mais musical. Precisei jogar um trechinho da letra fora. Doeu…mas, fazer o quê, qualidade em primeiro lugar.
O maior juíz deve ser o nosso ouvido, se agrada a ele ou não.


7 - A arte de "What Dreams May Come?" (2017) me deixou muito satisfeito e você disse na nossa entrevista anterior que ajudou o Carlos Fides (grande ilustrador e idealizador da mesma) com conceitos e referências.
Qual o tipo de trabalho que foi imposto para chegarem nesse conceito final? Demoraram a encontrar a mensagem gráfica exata para representar tais canções?

O Carlos é um grande artista, muito bom mesmo, tanto que as artes são MUITO elogiadas por todo mundo. Não é a toa que ele trabalha para artistas de nome como Evergray, Noturnall, Edu Falaschi entre outros.

Nada foi imposto, o processo na realidade é simples, ele pede todas referências e idéias que você já tenha para o álbum, tanto gráficas quanto conceituais.

No caso do álbum eu enviei a ele uma imagem que meu primo Hary (que também é designer e conhece a Fernanda) já havia feito pra mim. A partir desta imagem passei o conceito do álbum e voilá!

No caso do single o processo foi quase o mesmo: envio de imagens de referência e conceitos. Porém, neste caso, como seria uma arte de uma música ligada ao álbum, pedi que houvessem referências gráficas e cromáticas que remetessem a ele. Ou seja: uma arte única, mas que mostra sua ligação com algo.

Existem diversos “easter eggs” nesta arte. Assim como uma também no CD físico do “What Dreams May Come?”

Em tempo: a arte do primeiro álbum mostra uma pessoa, uma mulher saindo do reino físico e entrando no mundo onírico enquanto adormece.

A arte do single mostra, além das referências, alguém em busca de sua fé.


8 - É claro que eu preciso perguntar algo que foi dito por você no fim da entrevista anterior (manda lá xD )... sobre a produção do novo (e segundo) álbum de sua carreira.
O que você pode contar sobre ele? O primeiro single (pelo o que comentou) poderá surgir ainda em 2020? Mas gostaria de saber um pouco mais sobre quais as idéias que você anda planejando. Não tenho dúvidas de que sua criatividade irá me surpreender novamente (talvez quem sabe com elementos únicos, afinal, você mesmo disse que não tem medo de arriscar).

Muitíssimo obrigado pelo voto de confiança, Vinny!! Aliás, isso é algo que (muito positivamente) me preocupa.

O álbum “What Dreams May Come?” tem uma qualidade muito boa e não posso fazer menos do que ele. Procuro PELO MENOS tentar fazer algo naquele nível. E isso me deu durante um tempo uma bela de uma travada. Compor não é fácil, tão pouco rápido, pelo menos pra mim.

Sem mais delongas...  o elemento surpresa entra aqui de duas formas: uma é a surpresa que vai acontecer comigo (o que vai ficar dentro ou fora do programado) e a outra é a que eu gosto de fazer para os outros. Mas vou me esforçar para dar uns spoilers...  vamos lá.

Este será um capítulo (álbum e singles) baseado nas cores branco e azul (como assim?), suas temáticas serão ligadas a elementos destas cores em sua maioria, mas não na totalidade, porque não é um dogma, mas sim uma linha guia.

A idéia é ter um single abrindo esta nova fase, depois o álbum, dividido em mais de uma parte, pra poder valorizar o material, pra poder dar tempo às pessoas de conhecê-lo com calma.

O álbum terá, a princípio, 12 músicas.

Estou trabalhando em dois singles e mais sete das doze. Alguns instrumentos étnicos diferentes entrarão, outras culturas musicais serão abordadas, letras em mais de uma língua e também uma versão, assim como no primeiro álbum.

Talvez coloque um segundo single entre as partes do álbum ou após o lançamento complete dele.
Os temas e nomes ainda são surpresa.
Quanto a datas…o plano original era lançar um single no final deste ano, mas devido a um outro plano (que também não está confirmado) não sei se será possível. PORÉM/TODAVIA/CONTUDO, caso não role este ano, primeiro semestre do ano que vem com certeza, e em paralelo a produção deste single a criação e produção do segundo álbum continuará a todo vapor.


9 - Como é de costume fazer essa pergunta nos últimos tempos, o que você tem feito para melhorar as idéias em meio à pandemia? Anda ouvindo muitos nomes conhecidos/desconhecidos do grande público? Tem cuidado de muitas coisas? Inclusive, se quiser indicar nomes ou mesmo idéias para nossos leitores e seus seguidores, sinta-se a vontade.
Cara, tenho aproveitado todo o tempo possível pra estudar meus instrumentos e pra compor, até porque já se passaram 3 anos do lançamento do “What Dreams May Come?” e me preocupo com o tempo que já se passou, muito. Não quero lançar um álbum a cada 10 anos.

Gosto muito das bandas tradicionais, mas procuro ouvir coisas mais exóticas pra tentar extrair elementos diferentes dos habituais. Por exemplo o “Irfan”, da Bulgária, o “Nyiaz”, do Irã, Jean Michel Jarre, da França, o “Omnia”, da Alemanha. Loreena Mckennitt e Peter Gabriel, que são mais conhecidos do público, também trazem elementos bem legais.
Além disso todo dia eu preparo aula, dou aula, leio (adoro ler) e estudo húngaro.


10 - Finalizamos por aqui e novamente agradeço pela sua atenção e oportunidade, e claro, conte comigo para quando precisar (inclusive na promoção do futuro novo álbum e seus singles/vídeos que sei que irão surgir). 
Muitíssimo obrigado, Vinny, de verdade!! Quem agradece sou eu, mais uma vez, pela oportunidade, e pode ter certeza que vou te apurrinhar assim que tiver coisa nova!

Gostaria de deixar uma mensagem final?
Sim: “busquem conhecimento” (ET Bilu). brincadeira!!
Falando sério agora. Peço a todos que lerem esta matéria que continuem apoiando os artistas nacionais.

Eles são tão bons quanto os de fora, muitas vezes até melhores, mas o apoio aqui muitas vezes é pequeno.
E falo do apoio não de grandes canais, mas das pessoas. Continuem ouvindo e apoiando sim aquele artista que você tanto gosta, mas não deixe aquele menor de lado, ele também tem muita qualidade e tá batalhando duro pra conseguir algum reconhecimento, que depende de vocês, o público!

Sigam suas páginas nas plataformas de streaming, curtam suas músicas lá (isso ajuda a entrar numa playlist official), não pulem de música com pouco tempo tocada pelamordeDeus porque isso prejudica dentro dessas mesmas plataformas.

Compartilhem nas redes sociais, comprem seus merchs, enfim….prestigiem.
É isso!! Muitíssimo obrigado a todos :D


Ouça "What Dreams May Come?" aqui

Link :
https://www.facebook.com/morpheusdreams/

sábado, 9 de maio de 2020

Morpheus' Dreams : What Dreams May Come? - Review


Recentemente através do músico Fábio Matos da ótima banda Aetherea pude ter contato com este criativo trabalho idealizado pelo talentoso Christian Buchhaas.


Seu som varia entre ótimas melodias do Metal técnico, às variadas nuances de vertentes conhecidas do lado popular (você certamente irá reconhecer tais referências com poucas audições).

"What Dreams May Come?" surgiu em 2017 sendo um álbum repleto de boas idéias, uma compilação daquilo que se espera de um músico empenhado, além claro do "time" envolvido que entregou tudo aquilo que se esperava.

Não vou entrar em muitos detalhes sobre a conectividade das faixas ou concepções que Christian teve para chegar nestes produtos finais, irei fazer melhor, recomendar que leia a nossa entrevista feita recentemente para não perder nenhum detalhe.


Confira nosso longo bate papo clicando aqui.


Já sobre o lado instrumental/musical, devo ressaltar que temos canções ricas em detalhes minuciosos, melodias que fazem toda a diferença para os ouvidos exigentes, assim como temos um grande exemplo de como uma boa voz pode melhorar e encaixar certas regiões de forma que você conecte tudo em sua mente.

Sabe quando você ouve um clássico e pensa como aquilo faz diferença por ter um cantor técnico?é exatamente o mesmo exemplo; mas aqui, feito por uma voz bela e feminina, sendo afinada nos tons exatos para a vertente (fazendo o que deve), além de manter o alto nível do instrumental.

Minhas preferidas são "Shakespeare's Secret Garden" e "Star of Sophia", sublimes, mostrando a perfeição de um trabalho bem feito!


Mas não se engane, trata-se de um álbum completo e que merece ser "devorado" aos poucos, porém, necessário sua total apreciação...

Não deixe de ouvir!


Recomendo que também siga as mídias sociais da banda, merecem estar em evidência e ter o apoio necessário, afinal, boas bandas tem aos montes, mas você precisa mostrar ao mundo o valor de cada uma.


Ouça o álbum via Spotify aqui


Link :
https://www.facebook.com/morpheusdreams/

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Rock Vibrations Entrevista : Morpheus' Dreams


Alguns projetos sempre surpreendem por sua qualidade, concepção, elementos gráficos, tudo está muito conexo quando o talento é notório, não é mesmo?!

A Morpheus Dreams é um desses casos que já divulguei por aqui, um projeto muito bem elaborado, muito bem pensado, executado com primor pelos ótimos músicos envolvidos e claro, mantendo a qualidade que se espera a cada faixa executada.

Christian Buchhaas é o idealizador e único membro fixo do projeto (tendo uma lista seleta de nomes que participaram do excelente álbum "What Dreams May Come?" de 2017), trazendo nada mais que ótimas vibrações.

Abaixo, você pode conferir o longo bate papo que tivemos sobre sua carreira, dentre muitos outros assuntos :


1 - Iniciando o nosso papo, fale um pouco sobre o começo da sua carreira...
Bom, comecei a tocar em 1992, 1993, iniciei meus estudos com Ricardo Vignini, que hoje é conhecido pelo Duo "Moda de Rock", que faz versões de clássicos do Rock e Heavy Metal com violas caipiras. 

Em 1996 entrei no Conservatório Souza Lima, aonde cheguei a fazer aulas com Kiko Loureiro (Angra/Megadeth) e depois em 1999 ingressei na FAAM, no curso de composição, aonde me formei em 2003. Cheguei a fazer um pouco de violão Flamenco, mas infelizmente meu professor teve de sair do país... hoje estudo por conta.

Entre o Conservatório e a faculdade comecei a montar minhas bandas, sempre com foco no autoral, mas também com covers. Sempre misturado.
Aos poucos o conceito da Morpheus foi surgindo.

Em 1998 que ela oficialmente passou a existir. De lá pra cá foram várias formações, muitas experiências, algumas boas, outras nem tanto, mas todas me ensinando muito!! 

Em 2011 e 2012 duas demos foram lançadas com a última formação (a que mais durou e que mais foi pra frente). Em Dezembro de 2014 a banda se separou e eu continuei sozinho, chamei meu grande amigo e produtor Marco Nunes, fomos atrás de todo mundo e gravamos o álbum "What Dreams May Come?".


2 - Quais são as influências e conceitos que você costuma abordar?
Em casa, desde pequeno, lembro de meus pais ouvirem muito World Music, e eu sempre ficava admirado com aquela variedade de sons e instrumentos, com todas aquelas possibilidades e combinações. Isso me influenciou demais, tanto que busco (com muita dificuldade) trazer influências de diversas culturas. Mas não é nada fácil, requer muita pesquisa e gente pra fazer isso (executar tais instrumentos), assim como conseguir encaixar nas composições de forma coerente e musical. 

Dentro das influências musicais neste segmento gosto de grupos como Nyiaz (Irã), Irfan (Bulgária), Loreena Mckennitt, até o próprio Peter Gabriel que faz uma fusão muito boa da música africana.

Dentro do Rock/Metal gosto muito de Nightwish, Iron Maiden, Europe, Yes, The Police, Queen, Pink Floyd e por aí vai. Como músicos tenho como ídolos Yngwie Malmsteen, Kee Marcelo (Ex-Europe), Jake E. Lee (Ex-Ozzy Osbourne, Ex-Badlands e atual Red Dragon Cartel), Alex Skolnick (Testament), Paco de Lucia. Cantores, gosto muita da Johnette Napolitano (Ex- Concrete Blonde) e do Kevin Martin (Candlebox), além dos ícones do Metal, claro. Bruce, Geoff Tate, Dio, Tarja, etc

Essas são as influências musicais que consegui lembrar. Mas elas também vão pra parte literária.

Neil Gaiman, é uma das grandes influências da Morpheus, especialmente pelos contos de Sandman. Posso dizer que dois pilares fundamentais da banda são a fusão musical e o universo onírico. 

Em função disso os temas que abordo vão muito de mitologia, história e estórias/contos, além de vivências pessoais.


3 - Suas canções são sempre conceituais como foi citado anteriormente e trazem abordagens bem interessantes em seus vários aspectos líricos e também no lado instrumental com um cuidado muito grande.
Você costuma trazer elementos através de um instrumento específico primeiro ou as coisas surgem naturalmente em sua mente?por exemplo, para alguns músicos, escrever um riff é um "ponto de partida".
Acredito que cada músico tenha sua forma de compor, e não acho que seja uma regra pra eles. Pra mim não é. Sei as formas que funcionam melhor e uso elas, mas sempre me mantenho aberto a outras quando elas vem. Nunca represo o processo composicional, se ele vem de um jeito trabalho daquele jeito, depois eu me viro pra encaixar tudo (muitos risos).

MAS, o processo que funciono melhor é começar pelo instrumental, criando os riffs e estruturando a música desta forma, passo-a-passo, sessão a sessão. Depois linhas de voz e letra pra fechar. Mas, não é via de regra.

A música "Shakespeare's Secret Garden" começou pela letra. A abertura, "Emeraldine", eu fiz um mapa no papel, e depois trabalhei com o tecladista (Dio Lima). 

Pela idade da Morpheus (22 anos) já tenho bastante material guardado, diversos fragmentos que poderão e serão usados em seu devido tempo. As idéias vem e vou guardando, até chegar a vez delas, o que pode levar tempo.

Mas também aprendi, com este primeiro álbum, uma nova forma de criar e organizar o raciocínio: criar por elementos fixos (cores, minerais, cidades, etc).
Reparei que o "What Dreams May Come?" trás cores marcantes não só na arte, mas também nos temas das músicas, então dei ao álbum uma caracterização cromática: ver e amarelo.

Estou usando isso já no próximo álbum (mas com outras cores, e usei elas pra pesquisar todos os temas que serão abordados). Claro, as vezes alguma música encaixa no álbum, mas a cor não.

Liberdade acima de tudo, é uma linha guia, não uma regra inviolável.


4 - Trazer nomes conhecidos para o seu projeto foi uma sacada muito boa; porém, não é fácil realizar tal feito.
Como você chegou aos nomes envolvidos?existiu uma pré indicação antes de poder contar com eles?pensou em nomes que não fizeram parte?
Foi uma bela sacada, e foi sem querer (muitos risos) na época não fiz pensando nisso, pensei apenas em arrumar profissionais de excelência. 

Na época eu assinava com a MS Metal Press, e o dono me ajudou com alguns dos nomes. O Dio Lima (Teclado e Acordion), Bruno Ladislau (Baixo - em tempo, o Bruno foi baixista do André Matos), e o próprio Alírio Netto.

Como eu fiz uma versão da música "Sob o Sol", feita pelo compositor Marcus Viana para a abertura da novela "O Clone", convidei ele para participar... mas neste caso não deu certo, apesar de eu ter falado diretamente com ele. Tentei de novo agora no lançamento da versão exclusiva com o Alírio, mas não deu de novo. Uma hora vai.

Hoje penso sim nas participações, pelo tanto de qualidade e valor que elas agregam, e claro, não dá pra ignorar o fato de que também ajuda na divulgação, e isso não é errado.

A união faz a força, não é mesmo?



Ouça o álbum via Spotify clicando aqui



5 - O apoio do público e da mídia tem sido o esperado por você?acredita que algo possa ser feito para que tenha um equilíbrio nesses fatores?
Apoio...fale-me mais a respeito disso (muitos risos).
Olha, as pessoas próximas (família, namorada, grandes amigos) apoiam sim. Aos poucos, algumas pessoas que conhecem e curtem o trabalho vestem a camisa e ajudam também, viram fãs, compram CD, fazem download, ajudam a divulgar e a engajar e isso vai aumentando.... aos pooooucos.

Tem gente sim, e tenho pessoas que tem me dado um grande suporte, muitos por me conhecerem e tantos outros por terem se apaixonado pelo trabalho e sou grato a cada uma delas. Diversos websites também deram suporte e sou grato a cada um pelo espaço (e vocês estão nesta lista :D obrigado, amigos), MAS, rádios...grande mídia...revistas maiores...zzzzZZZzzz.
O suporte é de mínimo pra nulo. Em tempo: hoje vemos sim mais espaço pra grupos autorais e de menor porte, não tinhamos isso há alguns anos, mas ainda são espaços pequenos e o acesso também não é, ainda, o ideal.

E o público ainda tem um pouco do "se é banda de amigo", tá indicando porque é amigo, familiar....aquela coisa do "ahhh, não é um artista internacional".
Parece que tem de ter o glamour da fama para ser muito ouvido após a indicação de alguém.

Mas, poxa, é nessa fase, quando não temos quase ouvintes é que precisamos deste apoio, depois a pedra rola sozinha pelo morro através da força da gravidade.


6 - As artes envolvendo seus trabalhos também são outros diferenciais bem legais... como se desenvolve tal material?quem está envolvido?você cria os conceitos visuais ou apenas direciona?
Obrigado, Vinny!! As artes estão sensacionais!!
Quem as fez foi o Carlos Fides, ele é uma das referências nacionais, baita artista!! 

Quem faz é ele, mas eu procuro sempre passar todo o conceito e dar referências.

Na verdade ele mesmo já pede este conteúdo pra poder criar, então funciona súper bem!!


7 - Você citou em um bate papo nosso que também foi influenciado por World Music; com isso, a expansão da mente é notória e muitas nuances novas aparecem.
Em algum momento já passou pela sua mente criar canções que não sejam necessariamente abordadas somente com o básico do Rock (guitarra, baixo, bateria, etc) ou existe algum receito caso sinta vontade e não tenha uma aprovação?
Já passou e ainda passa sim, Vinny! É algo que quero explorar mais sim, tanto que comprei para mim uma viola de cabaça, igual a que foi usada na música "Dream Awake".

Mas, há de se ter cautela no uso destes instrumentos pra fazer algo que encaixe bem. Precisa soar bonito acima de tudo, esta é a regra. Se isto acontecer acho que funciona, porque, quer queira quer não, o fã de Heavy Metal é exigente, e não dá pra fazer qualquer coisa.

Por exemplo, no uso da língua portuguesa em letras. As palavras precisam ser bem selecionadas pra valorizar a música, pro fã sentir que ela pode representar ele. Claro, faço a música acima de tudo por mim, eu tenho de gostar dela, da idéia que ela representa pra ela ir pra frente, se eu não gosto ou ela não me representa não vai sair do papel, MAS, lógico, quanto mais pessoas gostarem, melhor e mais feliz ficarei, porque são uma parte de mim e da minha essência, mas não dá pra agradar a todos e nem posso me guiar por isso.

Acima de tudo é a minha felicidade e realização.


8 - A música atualmente é distribuída em forma massiva via streaming, cada vez menos com materiais físicos (existe um dado que explica a ineficiência do público em ouvir uma canção por mais de 2 minutos sem passar para outra).
Isso não ocorre tanto com o Rock/Metal pois muitos são assíduos no assunto e gostam de preservar as canções.
O que fazer para ser relevante e ter seu merch sendo divulgado?
Isso da pessoa ouvir pouquinho tempo da música e ir pra próxima prejudica muito o artista nas plataformas de streaming. Eles contabilizam o tempo que as pessoas ficam nela, se fica pouco a plataforma "entende" que você não é legal. Mas ninguém é obrigado a ouvir uma música que não gosta ou que acha chata.

Dentro do Rock/Metal e seus parentes os fãs "compram" o artista, querem saber dele, da banda, a história dos integrantes, fatos, curiosidades, ter acesso ao merch, etc. Isso é MUITO legal!! E o artista se sente bem com isso!

Agora, pra ser relevante.......a pergunta de um milhão de dinheiros!!! ter contatos ajuda muito, ter sorte ajuda muito, MAS ir atrás incessantemente também ajuda, compor um material de qualidade nem se fala, gravar/mixar/masterizar com qualidade é essencial... mas, não é garantia nenhuma de sucesso.

Aliás, o que é sucesso varia de pessoa pra pessoa.
Faça o seu melhor, ponha nas mãos de Deus e NUNCA desista.


9 - Quais os planos para os próximos meses?
Para os próximos meses (final do ano pra ser mais preciso e se tudo der certo) pretendo lançar um novo single, que abrirá para o segundo álbum que já está sendo composto.

Talvez mais singles, correr atrás de integrantes, gravar uma pequena entrevista para falar sobre cada uma das músicas e curiosidades da banda, a camiseta que está quase pronta aeeeee \m/ e záz, acho que é isso.


10 - Obrigado pela entrevista, pode contar conosco sempre que precisar... Gostaria de deixar algum recado final?
Sou eu quem agradeço pelo espaço, apoio, suporte e simpatia! Muitíssimo obrigado, foi um prazer IMENSO responder esta entrevista.
Chamem sempre que quiser.

E, como recado a todos e todas: ouçam sempre e cada vez mais nossos artistas, tem MUUUUUUITA gente boa, vocês sabem!

Um grande abraço e keep dreaming \m/


Ouça o single via Spotify clicando aqui

Os músicos que foram contratados para o seu álbum são :

.Bateria - Marcell Cardoso
.Baixo - Bruno Ladislau
.Teclado e Acordeon - Diógenes Lima
.Vozes Femininas - Fernanda Hay e Juliana Rossi
.Voz Masculina - Alírio Netto
.Viola Caipira - Ricardo Vignini
.Violino - Alexey Kurkdjian
.Hurdy Gurdy - André Zangari
Além de Guitarra e Violão pelo próprio Christian Buchhaas 


O músico também promove uma playlist muito interessante envolvendo bandas com vocais femininas e, especialmente do Brasil, ajudando a movimentar ainda mais nosso cenário Rock/Metal com muita qualidade envolvida.

Siga abaixo os links e apóie você também!!!


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