Os discos lançados por inúmeras bandas demonstram não só a atitude, feeling e comprometimento com o som, mas também, passam uma mensagem através das letras, além de todo um trabalho por trás daquela produção que pode durar meses (ou até anos).
Estamos iniciando um conceito que vai abordar justamente isso, mostrando o músico/banda explicando sobre a produção, execução, e outros muitos detalhes de um determinado lançamento.
Neste primeiro episódio convidei o meu brother Edson Graseffi (que também atua como baterista no veterano grupo "Panzer"), para falar um pouco sobre o seu mais novo projeto, o "Cosmic Rover", que lançou recentemente um E.P. que apresenta muito bem uma sonoridade Stoner.
Confira abaixo o papo :
1 - Como se iniciou a idéia de ter o Cosmic Rover?
Edson: Eu sempre fui fã de Stoner Rock e sempre planejei em ter uma banda assim. O Cosmic Rover já era uma idéia antiga na minha mente. Por muitas vezes falei sobre esse lance todo, o conceito que eu pensava para este trabalho, com vários músicos, mas nunca tinha achado os caras certos para isso. Sempre tive a vontade de unir o lance de cantar e tocar ao mesmo tempo e em todas as outras bandas que toquei isso era impossível.
Além disso eu tinha muito material escrito, toda essa piração de letras espaciais, ficção cientifica e histórias malucas que eu vivi até hoje, tudo isso não se encaixava nas outras bandas.
Com o Cosmic Rover eu teria um caminho livre para usar todo esse material e foi o que eu fiz.
E aqui estou hoje completamente realizado com esse trabalho!!!
2 - Muitos não devem saber mas você é um amante do Classic Rock... conte um pouco sobre essa paixão e o que tem influência através disso...
Edson: Eu sou apaixonado por música e principalmente por Rock n Roll, em todas as suas formas. Com o passar dos anos venho percebendo a surpresa das pessoas quando falo que gosto de determinadas bandas, percebo que a maioria da galera acredita que porque um músico toca um determinado estilo ele só ouve aquilo.
Outro dia uma pessoa ficou espantada porque gosto de Reo Speedwagon, por exemplo. Tudo isso na verdade é um erro, porque antes de tudo sou fã de Rock e esse estilo tem muito a oferecer em todas suas vertentes.
Além disso um músico não pode ter sua mente limitada.
Por exemplo, muita gente fica surpresa quando eu digo que não ouço só Thrash Metal, porque foram 27 anos tocando em uma banda (Panzer) que tem esse estilo como mola mestra do seu som, então as pessoas acham que ouço Thrash 24 horas por dia.
Enfim, na minha coleção de discos tem muita coisa diferente e tudo isso foi o que moldou minha formação musical.
3 - A escolha do line-up foi natural?
Edson: Cara, eu conheci o Rick por acaso no meu estúdio quando ele veio se tatuar comigo. Depois que fizemos amizade eu o convidei para iniciar o Cosmic Rover, expliquei para ele o que eu pensava em termos de estilo, que onda de Stoner Rock estava afim de fazer e as idéias bateram. Começamos a ensaiar só nós 2 e compusemos algumas coisas.
O Rodrigo veio na sequência, ele também veio se tatuar comigo e enquanto tatuava ele contei dessa nova banda e ele se ofereceu como baixista.
Posso dizer que somos uma banda unida pela tatuagem... (risos)... Eu não poderia ter achado os melhores caras como músicos e pessoas para tornar essa banda uma realidade.
4 - As canções soam bem trabalhadas e tem um feeling de show... A proposta era soar como uma banda tocando ao vivo?
Edson: Na verdade o que se ouve no EP é realmente uma banda ao vivo. Eu estava cansado de produções rebuscadas e editadas, não queria viver mais isso e ouvir um resultado que não me agradava, mas agradava produtores. Optamos nós 3 pelo lance de gravar ao vivo, como se fazia nos anos 70.
O produtor Henrique Baboom entendeu perfeitamente a proposta e fez isso com maestria. O que se ouve ali são os 3 tocando juntos e ao mesmo tempo com os instrumentos separados por biombos, apenas as vozes foram feitas em overdub e conseguimos um resultado orgânico e sensacional.
5 - Seria interessante você falar um pouco sobre a inspiração das faixas gravadas... O que representam as letras?
Edson: Como disse acima, o conceito de letras dessa banda é algo bem maluco ligado a ficção cientifica e experiências malucas que vivi nas ultimas décadas.
Curto muito histórias em quadrinhos também, “ Space Mother fucker” por exemplo, fala do personagem LOBO da DC Comics.
Já “Cosmic Rover” é sobre viajar em outras dimensões enquanto dorme, algo meio que espiritual e mágico ao mesmo tempo. Temos uma nova faixa que vamos lançar chamada “Mushroom Memories” , que fala sobre um cara que conheci no passado , seus chá de cogumelos e viagens que ele vive até hoje.
“Bright Highway” tem uma vibração Southern Rock na sua composição e a letra é super positiva, falando que tudo vai ficar ok, mesmo que no passado as coisas não tenham sido boas.
Não pretendo mais fazer algum tipo de questionamento social, coisa que fiz em todos os discos que gravei com minhas outras bandas.
Tudo que escrevo agora é por pura diversão.
6 - O E.P. soa bem demais e obviamente, nos dá uma esperança de um álbum completo... Como está essa parte?
Edson: Estamos compondo musicas novas, para fechar um álbum. O Rick e o Rodrigo tem trazido um material ótimo e podem esperar coisa boa vindo por ai.
7 - Como você bem sabe, a canção que mais gostei foi "Space Motherfucker"... Seus vocais me remetem a bastante coisa dos anos 70, e percebi um certo vibrato de Ronnie James Dio... Isso é fantástico, não?
Edson: Obrigado pela comparação, mas estou longe de soar como o Dio. Mas realmente eu me inspiro em vocalistas dos anos 70, de bandas como o "Grand Funk" por exemplo. Gosto também de vocalistas de outras décadas, do Eric Wagner do "Trouble", do Korey Clarke do "Warrior Soul" e da forma como o Peter Criss cantava.
Todos eles que citei são vocalistas cheios de drive e minha voz tem esse lance de drive natural, até falando ela soa meio que assim. Então foi muito natural soar dessa forma.
8 - Sobre a idéia de videoclipes, pretendem fazer algo como "lyric video" ou mesmo oficiais?
Edson: Nós já lançamos um Lyric para “Never Forget”, e provavelmente teremos mais 2 clipes oficias para este EP.
9 - Me tire uma curiosidade importante... Cantar soou naturalmente para você? imagino que para um baterista, o trabalho seja 10 vezes mais complicado...
Edson: Vou contar algumas coisas que poucas pessoas sabem, pois sempre fui apenas visto como baterista.
Na verdade eu canto desde criança, tive uma formação vocal cantando em corais infantis por muitos anos e participei de muitas competições de corais infantis.
Em 1987 eu montei minha primeira banda, onde eu seria o vocalista, mas muitas coisas aconteceram e fui empurrado sempre para a bateria.
Depois com o passar do tempo deixei esse lance de cantar para trás e me dediquei somente as minhas bandas e ao estudo de batera. Alguns anos atrás tocando em bandas cover, comecei a exercitar o lance de cantar e tocar ao mesmo tempo, porque nos shows eu sempre fazia 2 ou 3 músicas.
O lance de tocar e cantar para mim veio naturalmente, claro que tive que passar por um período de adaptação para essa banda, pois afinal, tocar bateria e cantar não é a tarefa das mais fáceis. O fato de eu ter estudado muita técnica de independência no passado como baterista me ajudou muito nesse sentido.
Na real, são como 2 cérebros funcionando simultaneamente e fazendo coisas diferentes.
É um lance bem louco de se fazer.
10 - Para finalizarmos, deixe algum recado para a galera...
Edson: Agradeço a oportunidade da entrevista e conheçam nosso trabalho no Spotify:



